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Pecado para morte

Publicado: 21 de janeiro de 2008 em O Pecado
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LÂMPADA PARA OS MEUS PÉS É A TUA PALAVRA

Se alguém vê seu irmão cometer um pecado que não conduz à morte, que ele ore e Deus dará a vida a este irmão, se de facto o pecado cometido não conduz à morte. Existe um pecado que conduz à morte, mas não é a respeito deste que eu digo que se ore. Toda a iniquidade é pecado, mas há um pecado que não conduz à morte.
(BJ)
  1JOÃO 5:16-17   Este trecho, analisado duma forma superficial pode levar-nos a entender que há pecados que, pela sua natureza e grau de gravidade, Deus não os perdoa e que por consequência levam à perdição; e que há outros que, sendo menos graves, podem ser perdoados por Deus, resultando na absolvição de quem os comete, se houver arrependimento. Outras traduções parece darem a mesma ideia:

Há pecados que não levam à morte. (SBP) Há um pecado que não incorre em morte. (TNM) Todo o feito errado é pecado, mas há pecado que não é mortal. (KJ)

O termo não é mortal, aqui empregue, pode traduzir-se por venial, em uso na igreja romana. E para termos uma ideia do que ele pode significar, consultemos: LEVÍTICO 4:1-3, 13-14, 27-28; 5:1-5, 15 e 17. Analisando as coisas deste modo, somos levados a afirmar que há pecados cuja gravidade não permite que venham a ser perdoados por Deus. Mas João refere-se a um género ou tipo de pecado; ou à reacção perante o pecado cometido ? Será que há pecados mais gravosos do que outros; ou tem a ver com aquelas pessoas que teimosamente permanecem no pecado e não se reabilitam dele, por orgulho ou teimosia? Biblicamente existem vários conceitos para o termo pecado.

Um pode ser traduzido por pecado primário. Adão e Eva incorreram nisso, tornando-se por natureza pecadores. Pretenderam obter o conhecimento do bem e do mal. 

GÉNESIS 2:17 O fruto da árvore era delícia para os olhos.
GÉNESIS 3:6
É a isto que o apóstolo João chama a concupiscência ou sensualidade dos olhos. JOÃO 2:16 O pecado também é transgressão das leis divinas. E neste conceito ele pode ser de índole involuntária, cometido contra a vontade própria do indivíduo, sem que a sua consciência intervenha; ou poderá ser de índole voluntária, quando há plena consciência dele e vontade de o cometer. As Escrituras afirmam que “se pecarmos voluntariamente, dentro do conhecimento da verdade, já não resta mais remissão pelo pecado.” HEBREUS 10:26-27 Há certos pecados que algumas pessoas crentes cometem, já de costas voltadas para Deus, desviados, indiferentes às exigências divinas estabelecidas como regras da vida cristã. A gravidade dessas transgressões, e muitas vezes a reincidência ou a permanência nesse estado, é como que a derrapagem para a perdição. Sem que haja um reconhecimento do pecado e consequente arrependimento, a pessoa torna-se assim num pecador crónico, num desviado sem possibilidades de recuperação. Aqui ele já perdeu a sua condição de filho de Deus, por vontade própria; não que Deus o haja rejeitado, mas porque ele próprio se afastou. Não foram propriamente os seus delitos que o afastaram de Deus; mas cometeu os seus delitos por se ter afastado de Deus. A perda dos valores espirituais e da integridade espiritual, são a causa única que pode levar o crente a cometer pecados que o lançarão voluntariamente na morte eterna. Deus reserva os injustos para o dia do Juízo e derramará a sua ira sobre toda a impiedade e injustiça. 2PEDRO 2:9-10; ROMANOS 1.18 Aquele que pecar contra Deus, será riscado do seu livro. ÊXODO 32:33 Se Deus risca do seu livro, e trata-se do livro da vida, então poderemos deduzir que se tratam de pecados cujo tipo pode ser de índole mortal. Entenda-se que a morte que decorre deste pecado, não é a morte física, mas a morte espiritual, ou morte eterna. Por isso todas as pessoas que a Bíblia refere como excluídas da vida eterna, são aquelas que cometem pecados a que poderemos chamar mortais.

O APOCALIPSE apresenta-nos duas listas. Uma no capítulo 22:15 e outra em 21:8:

  1. Os Tímidos, ou cobardes. Tímido, não deve ser entendido como designando as pessoas introvertidas, reservadas, ou que pela sua personalidade revelem delicadeza. Mas sim os cobardes, os medrosos, os que temem tudo e todos, receando manifestar o que são e o que pensam, com medo de serem rejeitados ou punidos. NÚMEROS 14:9, 11, 29-30

  2. Os Incrédulos. Destes fazem parte as criaturas que negam o seu Criador. Os que duvidam das promessas divinas. Os que recusam o dom gratuito da salvação e renunciam ao seu direito de se tornarem novas criaturas. NÚMEROS 21:9; 2TESSALONICENSES 2:10-11; 3:2

  3. Os Abomináveis. Os cães ou promíscuos. Estão aqui incluídos os depravados sexualmente, os homossexuais LEVÍTICO 18:22; 20:13, os zoófilos  ÊXODO 22:19; LEVÍTICO 18:23; 20:15-16; DEUTERONÓMIO 27:21, e aqueles que não respeitam a integridade moral das pessoas.

  4. Os Homicidas. Na lei de Deus, os dez mandamentos, está expresso no sexto mandamento, que é pecado matar. ÊXODO 20:13


A lei de Moisés, em LEVÍTICO 24:17, funcionando como código penal, determina que o homicídio é punível com a morte. Este princípio actualmente, na nova dispensação, continua em vigor. E Cristo até vai mais longe, dilatando-o: Quem insultar ou rebaixar o seu irmão, será réu do Juízo.   MATEUS 5:21-22 (SBP)

 “Ouviram o que foi dito aos antigos: Não matarás. Aquele que matar alguém terá de responder em julgamento. Mas eu digo-vos mais: Todo aquele que se irritar contra o seu semelhante terá de responder em julgamento; aquele que insultar o seu semelhante, chamando-lhe “imbecil”, será julgado pelo tribunal; e aquele que lhe chamar “estúpido” merece ir para o fogo do inferno.

  1. Os Fornicários e os que se prostituem. A fornicação é a prática sexual de forma depravada; é o sexo fora do matrimónio; é sexomania e relações sexuais ilícitas; é o sexo levado à forma de violência.

A prostituição é toda a forma corrupta de usar a sexualidade. Os dois termos, portanto, são praticamente sinónimos um do outro. DEUTERONÓMIO 22:13-21  determina a pena para quem atenta numa virgem e nela comete o seu pecado de abuso sexual. LEVÍTICO 20:10 e DEUTERONÓMIO 22:22  estabelece a mesma punição para o adultério.

E o Senhor Jesus dilata o espírito da lei, afirmando que cobiçar a mulher do nosso próximo se traduz no mesmo pecado. MATEUS 5:27

  1. Os Feiticeiros ou os que praticam o espiritismo. A prática e a vivência espíritas é dos pecados mais vulgarizados nos nossos dias. Além disso temos assistido ao reaparecimento da astrologia, cartomancia e quiromancia, adivinhação e todas as práticas afins, como os sortilégios e as magias, os quais alastram pelo mundo como uma praga, que a pouco e pouco vai afastando o ser humano de Deus; embora se queira fazer crer que todos esses costumes são de inspiração divina.

ÊXODO 22:18 e LEVÍTICO 20:27  estabelece a pena de morte para os que tais actos praticam. E, se pela lei de Moisés, os feiticeiros e os adivinhos eram executados, de quanto maior rigor se usará no Juízo em relação a essas pessoas?

  1. Os Idólatras. ÊXODO 22:20 e DEUTERONÓMIO 17:2-5 manda matar os idólatras. Isto está praticamente demonstrado em ÊXODO 32:31.

Este é o pecado que Deus mais abomina. Ele repudia todas as formas de adoração que não sejam exclusivamente dirigidas à sua pessoa, porque isso demonstra falta de devoção para com ele e contraria o amor que lhe é devido de todo o nosso coração, de toda a nossa alma e de todo o nosso pensamento. É confrangedor pensar que em certos sectores religiosos, ditos cristãos, tantas almas rendam culto a santos da sua devoção e os levem sobre os ombros em procissões, pensando que estão servindo a Deus; quando na realidade, a pena estabelecida para os que isso fazem é a morte eterna.

A avareza também é considerada como idolatria. COLOSSENSES 3:5-6

  1. Os Mentirosos. Os que amam e cometem a mentira.

Uma mentira, à custa de tantas vezes repetida, torna-se numa verdade incontestável. Quantas coisas hoje, tidas como certas, defendidas como verdades, são herança de erros falaciosos do passado, introduzidos por homens que amaram mais a mentira do que a verdade.  ROMANOS 1.25

Como podemos ver em DEUTERONÓMIO 13:1-15 o falso profetismo era condenado com a morte. Todo aquele que induzisse o povo em erro, proclamando abusivamente palavras que não provinham de Deus, seria morto.

  1. A Blasfémia contra o Espírito Santo.

Jesus revelou que deve haver o máximo cuidado quando pronunciamos algo referente ao Espírito de Deus e ás suas formas de actuação. Pode haver até casos em que seja óbvia a proveniência satânica de certas actuações; mas mesmo assim devemos abster-nos de as censurar ou condenar. LUCAS 12:10 Depois de todas estas considerações acerca do que pode ser pecado para morte, interessa realçar que tudo isto deve ser considerado dentro do campo do conhecimento dado pelo cristianismo. Deus não tem em conta os tempos da ignorância. Se alguém, antes de conhecer Jesus Cristo, cometeu alguma das faltas consideradas como pecado para morte, saiba que pela lavagem do baptismo da regeneração, proveniente do arrependimento, tudo fica esquecido para sempre. Além disso consideramos também que qualquer falta ou transgressão, por mais gravosa que seja, nunca consegue sobrepujar a misericórdia divina. E Deus, pelo seu infinito amor, decerto nunca deixará de perdoar a quem contritamente se arrependa dos seus erros e pecados.

“Portanto, irmãos, agora podemos entrar com toda a confiança no santuário, porque Jesus morreu por nós.
Ele abriu-nos um caminho novo e cheio de vida, ao entrar no santuário, rasgando a cortina, que é o seu próprio corpo. Agora temos o autêntico sumo sacerdote, responsável pela casa de Deus.
Aproximemo-nos, pois, de Deus com coração sincero e cheios de fé, purificados de toda a consciência de pecado e o corpo lavado com água pura.
Sejamos firmes em proclamar a nossa esperança, certos de que Deus não deixará de cumprir as suas promessas.
Façamos também por nos animarmos uns aos outros no amor e na prática das boas obras.
E não faltemos às nossas reuniões. Alguns têm por hábito faltar. Pelo contrário, animem-se uns aos outros cada vez mais, pois sabem que se vai aproximando o dia da vinda do Senhor.
Se continuarmos deliberadamente a pecar depois de termos recebido o conhecimento da verdade, então já não há sacrifícios que possam perdoar os pecados. Só nos resta esperar o terrível julgamento de Deus e um fogo violento que há-de destruir os seus inimigos.
Quem transgride a Lei de Moisés é condenado à morte sem piedade, desde que a sua culpa seja provada por duas ou três testemunhas.
Pensem bem quanto maior não deve ser o castigo que merecem aqueles que desprezam o Filho de Deus!
E que será daqueles que insultam o Espírito de Deus de quem receberam tantos dons e daqueles que desprezam o sangue da aliança que os purificou?”

HEBREUS 10:19-29

  Desta leitura depreende-se que devemos aproximar-nos de Deus com determinação, honestidade e confiança. O nosso apego a Deus não dá lugar ao pecado, nem permite que continuemos a laborar naquilo que nos leva à morte. A nossa firmeza em testemunhar e manter a nossa esperança, dá-nos ânimo e coragem para resistir a tudo quanto é mau. Isto depende essencialmente da nossa assiduidade às reuniões de culto e da comunhão que mantemos uns com os outros. “O pecado jaz à porta”. Ninguém está livre de incorrer em qualquer falta, seja ela qual for; mas se lhe dermos continuidade e não nos esforçarmos por deixar tudo quanto Deus aborrece, já não resta ajuda, nem força, nem apoio que nos valha. Poderemos então assim estabelecer como pecado mortal, todo aquele de que o pecador se não arrependa e que orgulhosa e obstinadamente mantenha, não procurando de Deus o perdão e a sua reabilitação.
  JFA  = Tradução João Ferreira de Almeida SBP  = Português Corrente da Sociedade Bíblica Portuguesa TNM = Tradução do Novo Mundo APF  = António Pereira Figueiredo

KJ   = Versão Inglesa King James  

 

Manuel José dos Santos

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