A Origem do Ensino de um

Arrebatamento Pré-Tribulacional

 Brian Schwertley

 Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto1

 Sempre que o cristão encontra uma doutrina que não foi ensinada por alguém de qualquer ramo da igreja de Cristo durante os dezoito séculos passados, ele deveria ter muita suspeita de tal ensino. Esse fato em e por si mesmo não prova que o novo ensino é falso. Mas, deveria definitivamente levantar suspeitas, pois se algo é ensinado na Escritura, não é absurdo esperar que ao menos uns poucos teólogos e exegetas tenham descoberto isso antes.

O ensino de um arrebatamento secreto pré-tribulacional é uma doutrina que nunca existiu antes de 1830. O arrebatamento pré-tribulacional veio à existência mediante uma exegese cuidadosa da Escritura? Não! A primeira pessoa a ensinar a doutrina foi uma jovem chamada Margaret Macdonald.

Margaret não era teóloga nem expositora bíblica, mas uma profetiza da seita Irvingita1 (a Igreja Católica Apostólica). O jornalista cristão Dave MacPherson escreveu um livro sobre o assunto da origem do arrebatamento secreto. Ele escreve: “Temos visto que uma jovem escocesa chamada Margaret Macdonald

teve uma revelação particular em Port Glasgow, Escócia, no começo de 1830, de que um grupo seleto de cristãos seria capturado para encontrar Cristo nos ares, antes dos dias do Anticristo. Uma testemunha ocular, Robert Norton M.D., preservou o relato escrito a mão por ela da sua revelação de um arrebatamento pré-tribulacional em dois de seus livros, e disse que foi a primeira vez que alguém dividiu a segunda vinda em duas partes ou estágios distintos. Seus escritos, juntamente com muitas outras literaturas da Igreja Católica Apostólica, ficaram escondidos por muitas décadas do pensamento evangélico dominante, e apenas recentemente reapareceram.

As visões de Margaret eram bem conhecidas por aqueles que visitavam sua casa, entre eles John Darby dos Irmãos. Dentro de poucos meses sua concepção profética distintiva foi refletida na edição de setembro de 1830 do The Morning Watch2 e na primeira assembléia dos Irmãos em Plymouth, Inglaterra. Os primeiros discípulos da interpretação pré-tribulacionista freqüentemente a chamavam de uma nova doutrina”.3

John Nelson Darby (1800-1882), que foi o líder do movimento Irmãos e “pai do Dispensacionalismo moderno”, tomou o novo ensino de Margaret Macdonald sobre o arrebatamento, fez algumas mudanças (ela ensinava um arrebatamento parcial de crentes, enquanto ele ensinava que todos os crentes

seriam arrebatados) e incorporou-o em seu entendimento dispensacionalista da Escritura e profecia. Darby gastaria o resto de sua vida falando, escrevendo e viajando para espalhar a nova teoria do arrebatamento. Os Irmãos de Plymouth admitiam abertamente e até mesmo se orgulhavam do fato que entre os seus ensinos estavam alguns totalmente novos, que nunca tinham sido ensinados pelos pais da igreja, escolásticos medievais, reformadores protestantes e muitos outros comentaristas.

O maior responsável pela ampla aceitação do pré-tribulacionismo e dispensacionalismo entre os evangélicos foi Cyrus Ingerson Scofield (1843- 1921). C. I. Scofield publicou sua Bíblia de Referência Scofield em 1909. Essa Bíblia, que expunha as doutrinas de Darby em suas notas, se tornou muito popular em círculos fundamentalistas. Na mente de muitos – professores da Bíblia, pastores fundamentalistas e multidões de cristãos professos – as notas de Scofield eram praticamente igualadas à própria palavra de Deus. Se uma pessoa não aderia ao esquema dispensacionalista e pré-tribulacional, ele ou ela seria quase que automaticamente rotulado de modernista.

Hoje existe uma abundância de livros advogando a teoria do arrebatamento pré-tribulacional e o entendimento dispensacionalista dos fins dos tempos. Dado o fato que entre os cristãos professos o arrebatamento prétribulacional ainda é freneticamente popular, uma comparação dessa teoria com o ensino bíblico está justificado. Veremos que os argumentos típicos oferecidos em favor dessa teoria estão em conflito com a Bíblia.4

Fonte: Extraído e traduzido do livreto “Is the Pretribulation Rapture Biblical?”, de Brian Schwertley.

1 Irvingitas são os seguidores do famoso pregador de Londres, Edward Irving. A nova denominação Igreja Católica Apostólica não foi fundada por Edward Irving (1792-1834), mas certamente recebeu sua influência. Ver artigo “Edward Irving: Precursor do Movimento Carismático na Igreja Reformada”, Alderi Souza de Matos, Fides Reformata. (N. do T.)

2 Jornal trimestral pouco conhecido publicado pelos Irvingitas de 1829 a 1832. (N. do T.)

3 Dave MacPherson, The Incredible Cover-Up: The True Story of the Pre-Trib Rapture (Plainfield, NJ: Logos International, 1975), p. 93. Os seguintes estudiosos são citados por MacPherson como concordando com a afirmação dele que o pré-tribulacionismo é uma doutrina totalmente moderna, que se originou em ou por volta de 1830: Samuel P. Tregelles, Alexander Reese, Floyd E. Hamilton, Oswald T. Allis, D. H. Kromminga, George E. Ladd and J. Barton Payne. MacPherson também cita vários estudiosos dispensacionalistas e pré-tribulacionistas que admitem que a teoria pré-tribulacionista é de fatouma nova doutrina: W. E. Blackstone, H. A. Ironside, Charles C. Ryrie, Gerald B. Stanton and John F. Walvoord.

4 http://reformedonline.com/view/reformedonline/rapture.htm

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Pense nisso…

Publicado: 20 de novembro de 2009 em Pense nisso...

A Salvação: Presente ou Futuro?

Publicado: 20 de novembro de 2009 em Salvação

O cristão já recebeu a salvação, ou espera recebê-la futuramente, quando chegar na presença de Deus? Esta é uma pergunta excelente, que envolve diversos pontos importantes de doutrina. Vamos observar alguns fatos:

  1. Jesus “veio buscar e salvar o perdido” (Lucas 19:10; veja João 12:47).
  2. Quando alguém se converte a ele, já recebe a salvação, ou seja, o resgate de seus pecados. Neste sentido, a Bíblia freqüentemente fala sobre a salvação no presente ou até como fato já realizado. “Hoje, houve salvação nesta casa…” (Lucas 19:9). “Mas cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles o foram” (Atos 15:11). “Porque, na esperança, fomos salvos” (Romanos 8:24). “…estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, —pela graça sois salvos” (Efésios 2:5). “…que nos salvou e nos chamou com santa vocação” (2 Timóteo 1:9). “…ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” (Tito 3:5).
  3. Várias outras passagens falam da salvação no sentido eterno e final, assim a colocando no futuro. “…aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo” (Mateus 10:22). “E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos” (Romanos 13:11). “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes” (1 Timóteo 4:16). “…assim também Cristo, tendo_se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação” (Hebreus 9:28).

Como devemos entender este dois sentidos da salvação? Romanos 5:9-10 usa outras palavras, dizendo que já fomos justificados (do pecado) e reconciliados (com Cristo), para que possamos ser salvos (futuramente). 1 Pedro diz que Deus nos elegeu (1:1-2), nos regenerou (1:3,23) e nos resgatou (1:18-19). Diz que somos salvos atualmente através do batismo (3:21). Uma vez salvos, somos “guardados pelo poder de Deus” (que nunca falha), “mediante a fé” (que pode falhar) para a salvação que vai se revelar no último tempo (1:5). Mesmo depois de resgatados, seremos julgados (1:17). Depois de ter “escapado das contaminações do mundo” seria possível voltar e perder tudo (2 Pedro 2:19-22).

Nós, que recebemos purificação pela obediência à verdade, precisamos manter firme a nossa esperança da salvação eterna.

-por Dennis Allan

Pense nisso…

Publicado: 31 de maio de 2009 em Pense nisso...

Pense nisso...

Esse artigo é um esclarecimento que eu enviei ao Consultório da Revista Vigiai e Orai, sobre a resposta do irmão Jabesmar Guimarães, sobre a ligação entre a Igreja dos Irmãos e a Congregação Cristã. Esse artigo foi escrito com base em pesquisas feitas na internet.

A Ligação entre a Congregação Cristã [no Brasil] e a Igreja dos Irmãos

Devido à pergunta feita pelo Ademilson de Melo a revista Vigiai e Orai sobre a ligação entre essas duas igrejas e pela resposta dada pelo irmão Jabesmar Guimarães, senti de escrever esse artigo para mostrar que ambos os movimentos cristãos, não tem somente o véu usado pelas irmãs em comum.

“A Congregação Cristã tem origem num pequeno grupo de evangélicos italianos (Presbiterianos e principalmente Valdenses) que, na cidade de Chicago nos Estados Unidos da América, no ano de 1904, passou a se reunir em suas casas, buscando a guia Divina para seguir os ensinamentos bíblicos cristãos, dentro da simplicidade da fé apostólica.” (http://www.congregacaocrista.org.br) E tem Louis Francescon como um dos principais lideres nessa origem.
Devido a essa origem herdaram dos valdenses suas doutrinas e costumes como o uso do véu pelas irmãs durante os cultos. Os valdenses são um grupo de cristãos não denominacional, oriundos dos tempos dos apóstolos na região dos Alpes na Itália, esses cristãos não denominacionais eram “tachados de muitos nomes pelos seus contemporâneos: Paulicianos Bogomiles, Valdenses, Albigenses, Lollardos, Hussitas, Anabatistas, Irmãos de Plymouth, Darbistas e muitos outros.” (A Igreja Peregrina – Jaime C. Jardine). Importante ressaltar que esses irmãos não aceitam esses apelidos que lhe conferiam, gostariam de ser chamados somente de cristãos.
Louis Francescon era ancião da Igreja Presbiteriana Italiana de Chicago, foi desligado dessa igreja por pregar o batismo por imersão e por ter sido batizado pelo irmão Beretta, que foi batizado por um irmão americano da Igreja dos Irmãos (Histórico da Obra de Deus, p. 36), creio ser essa igreja ligada a do movimento dos Irmãos de Plymouth, “de quem Francescon teria herdado a visão eclesiástica super-congregacionalista, um pouco da teologia voltada ao exame bíblico ao invés da teologia discursiva, e também as notórias influencias no culto.” (Leo Alves, 2006)
Consta na ata de desligamento de Francescon da Igreja Presbiteriana que ele estava pregando o “darbismo” (segundo Leo Alves). Segundo relato do irmão Leo Alves (pesquisador da historia da Congregação Cristã) um irmão por nome A. Bernabei, ex membro da Igreja dos Irmãos na Itália hoje membro da Congregação Cristã, disse que a Igreja dos Irmãos são como nos (Congregação Cristã) mas só não crêem no dom de línguas.
Algumas das Igrejas dos Irmãos “participaram e se uniram à Congregação Cristã no seu principio, como em Montreal, Itália, e no Brasil a CCB em Santos começou com um grupo deles que se uniram a nos já na década de 1910.” (Leo Alves, 2006).
O irmão Francescon era contra a denominação, no Censu religioso nos EUA em 1936 ele definiu a igreja como “não sectária e não denominacional“. O nome como pentecostais eram rejeitado e é até hoje pela Congregação Cristã, em uma breve nota a David DuPlessis, o ir. Francescon pediu que não referisse a nossa igreja como Pentecostal mas “simplesmente cristãos“. (Leo Alves)
A igreja no Brasil por não ter nome, nos primeiros anos, foi apelidada pelos não membros de Igreja dos Glorias ou povo dos Glorias, por causa das manifestações de glorias durante os cultos, alguma igrejas possuía nas fachadas escrito REUNIDOS EM NOME DO SENHOR JESUS. O nome Congregação Cristã no Brasil foi adotado somente em 1936, pois ouve a “necessidade de se criar instituição com personalidade jurídica para poder legalizar as reuniões e titularizar a propriedade desses imóveis e, por isso, se denominou essa entidade de “CONGREGAÇÃO CRISTÔ, isto é, simples reunião de pessoas, sem qualquer formalismo ou personalismo, apenas imbuídas dos mesmos valores espirituais cristãos de adoração a Deus.” (http://www.congregacaocrista.org.br)
Para Francescon as igrejas também são locais e independentes dirigidas por anciões e diáconos. Isso fez com que ele se desliga-se das assembléias gerais das igrejas nos EUA, pois quando ele estava em uma de suas viagens ao Brasil, alguns membros nos EUA nacionalizaram a igreja lá sobre o nome de Igreja Cristã da América do Norte (www.ccna.org), o que ele foi contra ficando somente na Congregação Cristã de Chicago.
Para mim temos sim ligação com a Igreja dos Irmãos, alem do uso do véu pelas irmãs, considero eles como meus irmãos em Cristo. Não somente com a Igreja dos Irmão mas com outros grupos não denominacionais citados acima, principalmente os valdenses.
Uma coisa me entristece como membro da CCB, é saber que nossa igreja é considerada uma seita para alguns, colocada ao lado de movimentos como os mórmons e as Testemunhas de Jeová, que tem um outro Jesus diferente do nosso Salvador. Creio que alguns acha que somos uma seita pelo material, na grande parte mentiroso, que se encontra na internet escritos por pessoas que não conhece realmente a CCB, ou por sermos uma igreja que prefere não manter contato com outros evangélicos, o que é um direito nosso, não por sermos sectaristas, mas pela confusão de doutrinas que existe entre as igrejas hoje em dia, e por crermos que os verdadeiros cristãos já existissem antes da reforma protestante. Ou por não sermos disimistas e nossos ministros são voluntários, algumas igrejas não gosta disso, pois perdem alguns membros por causa do dizimo, por obrigar seus membros dizimarem. Mas pela graça de Deus todos os verdadeiros cristãos estarão unidos, um dia no reino do céu, sem denominação ou igreja, pois somos uma igreja só, que é espiritual, o Corpo de Cristo.

Auto: Tiago B.

A Doutrina Esquecida

Publicado: 9 de abril de 2009 em Videos

AS TRANSFORMAÇÕES NO BATISMO

Publicado: 8 de janeiro de 2009 em Batismo

A maioria dos cristãos evangélicos pratica e acredita no “batismo dos crentes” ao invés do “batismo infantil”.

Igualmente, a maioria dos protestantes pratica e acredita no batismo pela “imersão” em vez da “aspersão”. Tanto o NT como a história da igreja primitiva se alinha a estas posições.

Porém, é típico na maioria das igrejas modernas somente aplicar o batismo depois de passado um grande período de tempo após a conversão. Muitos cristãos são salvos em determinado momento e batizados muito tempo depois. No século I esta prática era desconhecida.

Na igreja primitiva, os convertidos eram batizados imediatamente após a conversão. Um pesquisador fala sobre batismo e conversão, “Ambos andavam juntos. Os que se arrependiam e acreditavam na Palavra eram batizados. Até onde sabemos, esse padrão era invariável”. Outro escreve, “Ao nascer a igreja, os convertidos eram batizados com pouca ou nenhuma demora”.

No século I, o batismo em água era a confissão externa da fé de uma pessoa. Mais que isso, era a forma como alguém vinha ao Senhor no século I. Por esta razão, a confissão do batismo vincula-se vitalmente ao exercício da fé salvadora. Tanto que os escritores do NT muitas vezes utilizavam o “batismo” em vez da palavra “fé” referindo-se a ser “salvo”. Isto pelo fato do batismo ser, entre os primeiros cristãos, a confissão inicial da fé em Cristo.

Em nossos dias, a “Oração do Pecador” substituiu o papel do batismo na água como confissão inicial de fé. É dito ao candidato, “Diga esta oração depois de mim, que aceita Jesus como ‘Salvador Pessoal’, e que será salvo”. Mas em nenhuma parte em todo o NT achamos qualquer pessoa sendo conduzida a Deus pela “Oração do Pecador”. E não há o menor sussurro na Bíblia sobre um “Salvador Pessoal”.

Senão vejamos, os incrédulos do século I eram levados a Jesus Cristo pelas águas do batismo. Se me permite dizer dessa maneira, o batismo na água era a “Oração do Pecador” do século I! O batismo acompanhava a aceitação do evangelho. Isso marcava uma separação completa com o passado e uma entrega completa a Cristo e Sua Igreja. O batismo era ao mesmo tempo um ato e uma expressão de fé.

Então, quando houve a separação entre o ato do batismo e o recebimento de Cristo? Isso começou no século II. Alguns cristãos influentes ensinavam que o batismo necessitava ser precedido por um período de instrução, oração e jejum. Esta tendência piorou no século III quando alguns dos novos convertidos tinham que esperar até três anos pelo batismo!

Se você fosse um candidato ao batismo no século III, sua vida seria profundamente examinada. Você teria que se mostrar digno do batismo por sua conduta. O batismo chegou a ser um ritual adornado e rígido que havia adotado muitos aspectos das culturas judias e gregas — complicado com a bênção da água, tirar toda roupa, repetir um credo, ungir de azeite, exorcismo, e dar leite com mel à pessoa recém batizada. Isto chegou a ser um ato de obras em vez de fé.

O legalismo que envolvera o batismo revelou um outro conceito mais surpreendente: Somente o batismo perdoa pecado. Se uma pessoa comete pecado depois do batismo ela não pode ser perdoada. Por esta razão, a demora no batismo chegou a ser bem comum pelo século IV. Na medida em  que  se  acreditava que o batismo produzia o perdão  do pecado, muitos pensavam  que

prorrogando   o   batismo   obteriam   o   máximo   benefício.   Portanto,   algumas   pessoas,   como Constantino, esperavam batizar-se apenas sobre o leito de morte!

Como disse anteriormente, a “oração do pecador” eventualmente substituiu a função bíblica do batismo na água. Embora seja apresentado hoje como bíblica, a “oração do pecador” é uma invenção recente. D. L. Moody (1837-1899) foi o primeiro a utilizá-la.

Moody empregou este “modelo” de oração no treinamento de seus obreiros evangelísticos. Mas isto não chegou a ser muito popular até 1950-60 com o tratado denominado Paz com Deus de Billy Graham e mais adiante com as Quatro Leis Espirituais da Cruzada Estudantil Para Cristo.

O dístico “salvador pessoal” é outra inovação moderna que saiu do gênio do avivamento americano do século XIX. Na realidade foi engendrado em meados do século XIX. Para ser exato nasceu por volta de 1858. Chegou a ser bem popular com Charles Fuller (1887-1968). Fuller, literalmente, usou esta frase milhares de vezes em seu programa de rádio incrivelmente popular “A Hora do Velho Avivamento” irradiado entre 1940 e 1970. Seu programa alcançava desde a América do Norte até cada rincão do mundo. Quando ele morreu, o programa foi retransmitido por mais de 500 emissoras ao redor do mundo.

Hoje, o dístico “Salvador Pessoal” é utilizado tantas vezes que parece ser bíblico. Mas considere o absurdo de utilizá-lo. Alguma vez você já foi apresentado assim por algum de seus amigos “Este é meu ‘amigopessoal’Fulano de Tal”?

Aparte do fato desta frase ter poucos pontos de contato com a vida real há um problema maior. O dístico “Salvador Pessoal” limita Jesus ao que acreditamos ser nossa vida pessoal. O fato é que Jesus Cristo nos salva em todas as dimensões da vida — seja pessoal, impessoal, interpessoal, coletiva, etc. Ele é o Salvador de cada rincão, gruta e local do templo.

O “Salvador Pessoal” também reforça um cristianismo altamente individualista. Mas o NT desconhece uma fé cristã que sugere “apenas Jesus e eu”. Pelo contrário, o cristianismo é intensamente coletivo, é uma vivência entre o corpo (coletivo) de crentes que conjuntamente O reconhece como Senhor e Salvador.

 

Por nossa tradição, esvaziamos o verdadeiro significado e o poder por trás do batismo na água. Propriamente concebido e praticado, o batismo na água é a confissão de fé inicial do crente diante dos homens, demônios, anjos e Deus. O batismo é um sinal visível que revela nossa separação do mundo, nossa morte com Cristo, o enterro do velho homem, a morte da velha criatura, e a purificação pela Palavra de Deus.

O batismo nas águas é a forma neotestamentária da conversão/iniciação. É a idéia de Deus. Substituí-lo pela invenção humana da “Oração do Pecador” é esvaziar o batismo do seu testemunho divino.

 

Extraído do livro O Cristianismo Pagão de Frank A. Viola, pág. 109-111 e 114-115.